Operação "Power Off": grande golpe contra os serviços de stress DDoS
A Procuradoria-Geral de Frankfurt am Main e a Polícia Judiciária Federal alemã (BKA) desferiram, em conjunto com autoridades de investigação criminal de um total de 21 países, um golpe maciço contra plataformas ilegais de DDoS. A operação "Power Off", apoiada pela Europol, dirigiu-se especificamente aos chamados serviços de stress – plataformas baseadas na web que permitem aos utilizadores, mediante pagamento, realizar ataques de sobrecarga contra sistemas alheios.
Medidas centrais e resultados da operação
No centro da operação esteve o desmantelamento de infra-estruturas informáticas criminosas. As autoridades envolvidas executaram, a nível mundial, mais de 150 medidas contra infra-estruturas incriminadas. Foram apreendidos mais de 40 servidores relacionados com um arguido alemão. Este homem terá explorado dois dos mais relevantes serviços de stress a nível mundial, designados "Fluxstress" e "Netdowner".
A nível internacional realizaram-se 16 buscas, entre outros na Polónia e no Brasil. As autoridades polacas detiveram, no âmbito das suas investigações, dois presumíveis administradores e mais um participante nos factos. O suspeito alemão, cidadão da Alemanha, encontra-se actualmente sob custódia das autoridades tailandesas. Contra ele existe na Alemanha um mandado de detenção por exploração, a título profissional e em grupo organizado, de uma plataforma criminosa de comércio na Internet.
Medidas preventivas contra o cibercrime
Além das medidas repressivas, as autoridades alemãs levam também a cabo passos preventivos abrangentes. Vão contactar mais de 50 000 utilizadores dos serviços retirados da rede e alertá-los para o carácter criminalmente punível das suas acções. Além disso, serão desligadas mais de 50 plataformas de comunicação estreitamente ligadas aos serviços criminosos.
As autoridades acompanham estas medidas com um filme de animação dirigido ao público-alvo, que torna claras as consequências penais de tais actividades. Isto é especialmente relevante, uma vez que os serviços de stress surgem para muitos jovens como um jogo aparentemente inofensivo – sobretudo no meio do gaming.
O que são os serviços de stress e porque são perigosos?
Funcionamento e acessibilidade
Os serviços de stress são plataformas baseadas na web que permitem aos seus clientes, mediante o pagamento de uma taxa, realizar ataques de sobrecarga dirigidos (ataques distribuídos de negação de serviço, DDoS) contra sítios web e outros serviços baseados na web. O que distingue estes serviços: não exigem conhecimentos técnicos aprofundados. Isso faz com que os ataques DDoS fiquem acessíveis a um vasto círculo de utilizadores – uma ameaça de segurança considerável.
Num ataque DDoS, os sistemas das vítimas são deliberadamente sobrecarregados, de modo a que os seus conteúdos fiquem temporariamente inacessíveis. A consequência: sítios web ou serviços ficam indisponíveis. Isto pode causar prejuízos económicos consideráveis às empresas afectadas e, potencialmente, também falhas em infra-estruturas críticas como sistemas de energia, água ou comunicações.
Diferentes motivações dos atacantes
Os motivos por detrás dos ataques DDoS são variados. As autoridades distinguem várias categorias: a sabotagem económica e a obtenção de ganhos financeiros ocupam o primeiro lugar. Os cibercriminosos utilizam ainda os ataques DDoS para encobrir outros ciberataques ou para obterem vantagens competitivas no gaming online.
A par disso existem motivos político-ideológicos. Os chamados grupos hacktivistas usam ataques DDoS para criar pressão social. Estes grupos dirigem os seus ataques tanto contra presenças na Internet a nível federal como europeu, sobretudo nas áreas da segurança, das infra-estruturas e das finanças.
Obtenção de dados e esclarecimento
No decurso da operação, as autoridades de investigação criminal envolvidas obtiveram indícios relativos a mais de três milhões de dados de utilizadores com ligações criminosas. Estes dados são de grande valor para novas investigações contra utilizadores criminosos das plataformas. Permitem às autoridades esclarecer uma multiplicidade de casos individuais e identificar mais suspeitos.
Esta vasta recolha de dados evidencia a dimensão do problema: milhões de pessoas utilizam ou utilizaram serviços de stress. Muitos destes utilizadores poderão não ter consciência das consequências penais.
Enquadramento: porque é esta operação relevante?
Serviços de stress como porta de entrada no cibercrime
Segundo a avaliação do Serviço Central de Combate à Criminalidade na Internet (ZIT), os serviços de stress constituem um dos "delitos de iniciação" mais frequentes – em especial entre os jovens. Os serviços funcionam como porta de entrada na chamada Underground Economy para cibercriminosos inexperientes. Muitos utilizadores começam por realizar ataques DDoS por motivos aparentemente inofensivos (como vantagens no gaming) e podem depois derivar para actividades mais criminosas.
Estratégia de longo prazo desde 2018
A operação "Power Off" não é uma medida isolada, decorrendo já desde 2018 como estratégia concebida a longo prazo. É apoiada pela Europol e pelo Centro Europeu da Cibercriminalidade (EC3). Ao longo destes anos foi já possível identificar e retirar da rede uma multiplicidade de plataformas de serviços para ataques DDoS. A actual operação constitui um novo "sprint" nesta luta contínua.
Cooperação internacional essencial
A participação de autoridades de 21 países mostra que o cibercrime não conhece fronteiras nacionais e só pode ser combatido eficazmente através da cooperação transfronteiriça. Um autor está na Tailândia, os servidores estão distribuídos globalmente, os utilizadores em todo o mundo – sem coordenação internacional, uma intervenção bem-sucedida seria impossível.
Consequências penais e efeito dissuasor
Carsten Meywirth, director da Polícia Judiciária Federal e responsável pelo departamento de Cibercrime, sublinha: "A exploração e a utilização de serviços de stress são puníveis e acarretam consequências sensíveis." Trata-se de uma mensagem clara para potenciais utilizadores – sobretudo para os jovens, que podem subestimar as implicações jurídicas dos seus actos.
A combinação de medidas repressivas (encerramento de serviços, detenções, apreensão de servidores) e preventivas (contacto com 50 000 utilizadores, encerramento de plataformas de comunicação, filmes de sensibilização) pretende obter um efeito dissuasor em várias camadas.
Relevância para empresas e infra-estruturas críticas
Para os operadores de sítios web, serviços online e infra-estruturas críticas, esta operação é de grande importância. Sublinha a ameaça persistente dos ataques DDoS e mostra, ao mesmo tempo, que as autoridades de investigação criminal actuam activamente contra a infra-estrutura de tais ataques.
O facto de potencialmente milhões de pessoas terem tido acesso a serviços de stress significa também que qualquer empresa tem de contar com ataques DDoS. Uma infra-estrutura de segurança adequada e medidas de protecção contra DDoS não são, por isso, opcionais, mas necessárias. Isto aplica-se em especial a empresas com presença na Internet e a operadores de infra-estruturas críticas.
Perspectivas: o futuro do combate ao cibercrime
A BKA sinaliza que também no futuro apostará numa cooperação estreita com parceiros internacionais. A operação "Power Off" é um exemplo de uma abordagem sistemática e concebida a longo prazo – não como acção pontual, mas como processo contínuo.
Os dados obtidos sobre três milhões de utilizadores indicam que se seguirão novas investigações. As autoridades dispõem agora dos meios para identificar utilizadores individuais e actuar contra eles. Isto conduzirá presumivelmente a uma vaga de processos penais contra utilizadores de serviços de stress – em especial na Alemanha e nos 21 países envolvidos.
Para potenciais autores, a mensagem é clara: "O braço da lei chega também ao mundo virtual e retira cada vez mais responsáveis da protecção do suposto anonimato." O cibercrime já não é uma actividade anónima – e não compensa.