O que aconteceu?
No Fórum de Acesso deste ano, organizado pela PROTECTOR em Hanôver, 19 participantes discutiram o futuro do controlo de acessos. Havia quatro rondas temáticas à escolha, sendo que o debate sobre holismo ganha destaque especial na edição atual da PROTECTOR. A tese central dos participantes do debate: uma arquitetura de segurança holística, que reúne acesso, vídeo, alarme e outros sistemas, gera um valor acrescentado que ultrapassa a soma dos componentes individuais.
Os detalhes
No centro do debate esteve a constatação de que o verdadeiro benefício dos sistemas de segurança integrados não reside no desempenho isolado de cada componente, mas sim na sua interação. Só quando as informações provenientes de diferentes sistemas são combinadas, os processos são coordenados entre si e os eventos são avaliados de forma holística é que se atinge, segundo os participantes do debate, um nível de segurança que soluções isoladas não conseguem alcançar.
Um importante impulsionador desta evolução são os requisitos regulamentares, como a diretiva NIS-2 e a lei-quadro alemã relativa a infraestruturas críticas (KRITIS-Dachgesetz). No fórum, estas legislações não foram vistas como um mero obstáculo, mas sim como um fator estabilizador. Para o setor de controlo de acessos, podem constituir uma base importante para se posicionar estrategicamente como parceiro de resiliência.
Outro tema central foi a biometria comportamental. Enquanto os métodos biométricos clássicos se baseiam em características estáticas, como a impressão digital ou a íris, existem novas abordagens que identificam pessoas com base em padrões de movimento individuais – por exemplo, através da forma de andar. Também aqui se aplica o princípio da interação: o que é decisivo não é uma única característica, mas a combinação de numerosos parâmetros de movimento.
Adicionalmente, foi discutido o conceito de desmaterialização. Trata-se de reduzir os componentes físicos, a cablagem e as unidades centrais de controlo ao mínimo necessário, passando as funções a ser cada vez mais representadas com base em software e em rede. O desempenho não resulta, assim, de mais hardware, mas sim da interação inteligente entre os elementos existentes.
Enquadramento
As evoluções discutidas no Fórum de Acesso evidenciam uma tendência clara: o controlo de acessos está a evoluir de soluções isoladas para conceitos de segurança em rede e holísticos. Isto não afeta apenas a integração técnica de acesso, vídeo e alarme, mas também o plano regulamentar. A NIS-2 e a lei-quadro relativa a infraestruturas críticas estabelecem novas condições-quadro que obrigam cada vez mais os operadores de infraestruturas críticas e as empresas a uma reflexão estratégica sobre a resiliência.
Para o setor, isto representa uma oportunidade de reposicionamento: quem entende e oferece as soluções de acesso não apenas como abre-portas, mas como um componente de uma arquitetura de segurança abrangente, pode consolidar-se como parceiro estratégico para a resiliência. Simultaneamente, abordagens tecnológicas como a biometria comportamental estão a transformar profundamente a compreensão da verificação de identidade – afastando-se de características estáticas isoladas e caminhando para a análise de padrões complexos e dinâmicos.
Dicas práticas
- Os responsáveis pela segurança devem verificar em que medida os seus sistemas existentes de acesso, vídeo e alarme já estão em rede ou funcionam como soluções isoladas.
- Os requisitos da NIS-2 e da lei-quadro relativa a infraestruturas críticas devem ser analisados precocemente, de modo a que as exigências regulamentares não sejam vistas como um mero exercício obrigatório, mas sim como ponto de partida para um planeamento estratégico de segurança.
- Ao introduzir novos métodos biométricos, vale a pena considerar abordagens que combinem várias características, em vez de depender de uma única característica estática.
- No âmbito da desmaterialização, os operadores devem avaliar se as estruturas de hardware existentes podem ser complementadas ou substituídas de forma vantajosa por soluções baseadas em software e em rede.
Perspetivas
Os debates do Fórum de Acesso sugerem que o setor de controlo de acessos se orientará, nos próximos anos, cada vez mais para conceitos de segurança holísticos. Requisitos regulamentares como a NIS-2 deverão funcionar como um impulso adicional, levando empresas e operadores de infraestruturas críticas a um envolvimento mais intenso com arquiteturas de segurança em rede. Simultaneamente, evoluções tecnológicas como a biometria comportamental e a desmaterialização mostram que a inovação no controlo de acessos não implica necessariamente mais hardware, mas se baseia cada vez mais numa ligação em rede inteligente e em software. A atual edição da PROTECTOR aprofunda estes temas, entre outros, com artigos sobre riscos de manipulação na biometria, caminhos para uma maior resiliência ciberfísica e tecnologia de fecho inteligente para municípios.