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Importante Cibersegurança Pontuação: 8/10

RUAG paga resgate à gangue cibernética Akira após roubo de dados

Empresa suíça de defesa RUAG admite pagamento de resgate ao grupo de ransomware Akira, após roubo de dados sensíveis da subsidiária americana Mecanex USA.

O que aconteceu?

A empresa suíça de defesa RUAG aparentemente pagou um resgate à gangue cibernética Akira após um ataque cibernético à sua subsidiária americana Mecanex USA. O roubo de dados ocorreu no início de novembro de 2025, e a emissora suíça SRF atribui a invasão à subsidiária americana RUAG LLC. Os autores publicaram a extorsão em seu site na darknet e afirmaram ter copiado cerca de 24 GB de dados.

Jürg Rötheli, presidente do conselho de administração da RUAG, admitiu o pagamento no programa Samstagsrundschau da SRF: "Nós pagamos, um valor pequeno, felizmente, e recuperamos todos os dados", disse ele. As exigências de resgate teriam sido, segundo ele, na faixa de seis dígitos mais baixos.

Os detalhes

Segundo os invasores, os dados roubados incluíam números de segurança social, documentos de identidade, carteiras de motorista, números de telefone, endereços e outras informações pessoais de funcionários. Além disso, informações militares confidenciais, bem como contratos e manuais sobre manuseio de explosivos, também teriam sido afetados.

Rötheli explicou que o pagamento do resgate foi previamente acordado internamente – com órgãos internos da empresa. Além disso, houve consulta a especialistas jurídicos americanos. O Ministério da Defesa suíço VBS (Departamento Federal Suíço de Defesa, Proteção da População e Esportes) não quis comentar o pagamento, mas afirmou não ter sido informado previamente.

A gangue cibernética Akira utiliza seu próprio ransomware e continua a criptografar os dados de suas vítimas, em vez de se limitar apenas ao roubo de dados e à extorsão com ameaça de não publicação, como fazem muitos outros grupos. Recentemente, o grupo chamou atenção no final de 2025, ao conseguir instalar seu ransomware em firewalls SonicWall apesar da autenticação multifator ativada. Desde então, a Akira parece ter concentrado sua atuação em empresas menores e tem se mostrado menos visível.

Análise

O caso contraria a recomendação usual de especialistas em segurança de TI, bem como das autoridades suíças de cibersegurança, de não pagar resgate nesses casos. Também na Alemanha, as autoridades competentes desaconselham veementemente essa prática. Já em 2022, especialistas em segurança de TI da academia e da indústria haviam chegado a exigir, em uma carta aberta, medidas concretas contra pagamentos de resgate por parte das vítimas – uma carta que na época recebeu grande atenção.

O deputado nacional do SVP e empresário de TI Mauro Tuena declarou à SRF que o grupo Akira agora sabe que o governo federal suíço está disposto a pagar resgate – um sinal, em sua opinião, devastador. A RUAG respondeu que a decisão foi correta, já que todos os dados foram recuperados e os danos puderam ser minimizados.

Essa contradição entre a recomendação oficial e o comportamento real de uma empresa federal evidencia o dilema em que se encontram as vítimas de tais ataques: por um lado, o modelo de negócio dos extorsionários não deve ser fortalecido por meio de pagamentos; por outro, as empresas estão sob forte pressão para evitar que dados sensíveis – especialmente aqueles relacionados a informações militares – se tornem públicos.

Dicas práticas

  • As empresas devem, independentemente da situação de pressão aguda, analisar previamente as recomendações oficiais das autoridades de cibersegurança e estabelecer processos internos de decisão para casos de emergência.
  • O envolvimento antecipado de órgãos de supervisão e – como ocorreu no caso da RUAG – de assessoria jurídica pode ajudar a documentar de forma compreensível as decisões tomadas em situações de crise.
  • Empresas com dados sensíveis ou relevantes para a segurança devem, em especial, verificar se as medidas de segurança preventivas, como a autenticação multifator, estão suficientemente reforçadas – o caso dos firewalls SonicWall mostra que a Akira também é capaz de contornar mecanismos de proteção estabelecidos.
  • Uma comunicação transparente com instâncias superiores, como ministérios ou órgãos de supervisão, também deve ser garantida nos processos internos de decisão, a fim de evitar perdas de confiança como no caso do VBS, que não foi informado.

Perspectivas

O caso RUAG deve reacender o debate sobre como lidar com exigências de resgate, especialmente por se tratar de uma empresa vinculada ao governo federal suíço. A declaração do deputado Tuena, segundo a qual a Akira agora sabe que o governo federal está disposto a pagar, sugere que ataques semelhantes contra instituições estatais ou relevantes para a segurança podem se tornar menos improváveis no futuro.

Ao mesmo tempo, o comportamento do grupo Akira, que recentemente tem mirado cada vez mais empresas menores, mostra que a situação de ameaça para organizações de diferentes portes continua se intensificando. Detalhes sobre possíveis consequências adicionais para a RUAG ou eventuais reações das autoridades ainda não são conhecidos no momento.