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Importante Cibersegurança Pontuação: 9/10

Cibercrime 2025: Alemanha com 334 000 casos e 202 mil milhões de euros de prejuízos

A Alemanha regista 334 000 casos de cibercrime com prejuízos de 202,4 mil milhões de euros. Os ataques de ransomware sobem 10 %, os DDoS 25 %. A IA agrava a ameaça.

A vaga de cibercrime atinge novas dimensões

O relatório federal sobre cibercrime de 2025 traça um quadro preocupante da situação da segurança informática na Alemanha. Com cerca de 334 000 casos de cibercrime em sentido estrito registados, a República Federal continua a ser, enquanto terceira maior economia do mundo, um alvo central no ciberespaço. O volume estimado de prejuízos atinge um novo recorde de 202,4 mil milhões de euros, o que corresponde a cerca de 4,5 por cento do produto interno bruto.

Especialmente alarmante é a elevada percentagem de ataques transfronteiriços: cerca de 207 888 actos foram cometidos a partir do estrangeiro ou de locais desconhecidos. Esta evolução dificulta consideravelmente a investigação criminal e sublinha a dimensão internacional da cibercriminalidade.

Ransomware e ataques DDoS em foco

Os trojans de extorsão continuam altamente perigosos

Os ataques de ransomware continuam a ser uma das ameaças mais perigosas para as empresas e as instituições públicas alemãs. As estatísticas registam 1041 ataques de ransomware comunicados em 2025, o que corresponde a um aumento de 10 por cento face ao ano anterior. O total dos pagamentos de resgate ascendeu a cerca de 15,5 milhões de dólares.

Apesar do aumento do número de ataques, é interessante notar que o número de pagamentos efectivos diminui, o que aponta para uma resiliência crescente de muitas organizações. Medidas internacionais como a "Operação Endgame" já mostraram os primeiros êxitos no combate às infra-estruturas de malware e conduziram à identificação de suspeitos.

Aumento maciço dos ataques de sobrecarga

Ainda mais dramática é a evolução dos ataques DDoS (ataques de sobrecarga): com 36 706 casos em 2025, as autoridades registaram um aumento de 25 por cento face ao ano anterior. Mostra-se especialmente activo o grupo hacktivista "NoName057(16)", que ataca de forma dirigida instalações alemãs – entre outros no contexto da situação geopolítica em torno da Ucrânia.

Os ataques dirigem-se sobretudo contra organismos públicos, administrações, bem como empresas de transportes e logística. Como contramedida, as autoridades de segurança internacionais conduziram as operações "Eastwood" e "PowerOFF" contra as respectivas infra-estruturas e os chamados serviços de stress.

A inteligência artificial como factor de ruptura

Um motor central da evolução actual é o uso crescente da inteligência artificial no cibercrime. Os cibercriminosos usam tecnologias de IA para automatizar ataques, seleccionar alvos com mais precisão e profissionalizar os seus métodos. Esta evolução conduz a uma nova qualidade da ameaça, pois os ataques tornam-se mais rápidos, mais dirigidos e mais difíceis de detectar.

Ao mesmo tempo, a IA abre também novas possibilidades para a ciberdefesa, em especial na detecção precoce de vulnerabilidades. Esta dupla natureza da tecnologia torna-a um factor decisivo no futuro panorama da cibersegurança.

Elevadas cifras negras e desafios de investigação

Os números oficiais representam apenas a ponta do icebergue. Devido a uma vasta zona obscura, o número real de ciberataques deverá ser bastante mais elevado. As autoridades de segurança partem do princípio de que muitos casos não são nem denunciados nem detectados. A percentagem considerável de ataques transfronteiriços ou anonimizados dificulta ainda mais a investigação criminal.

Resposta do Estado: reforço das capacidades de defesa

Face à evolução dramática, o ministro federal do Interior, Alexander Dobrindt, anunciou um reforço das autoridades de segurança. "Os cibercriminosos atacam a Alemanha todos os dias – as nossas empresas, os nossos organismos públicos e a nossa infra-estrutura", sublinhou Dobrindt. A resposta passa pelo alargamento das competências, do equipamento técnico e da capacidade de actuação das autoridades.

A vice-presidente da BKA, Martina Link, referiu os êxitos das medidas já tomadas, mas alertou contra qualquer descontracção: "As nossas medidas bem-sucedidas contra o cibercrime mostram que a acção policial funciona – não podem, contudo, iludir o panorama de ameaça no ciberespaço, que continua altamente dinâmico. Os cibercriminosos adaptam continuamente os seus métodos e aumentam assim a pressão sobre o Estado, a economia e a sociedade."

Perspectivas: a ameaça mantém-se altamente dinâmica

Os números do relatório federal sobre cibercrime de 2025 deixam claro que a Alemanha continua no foco dos cibercriminosos internacionais. A combinação da importância económica do país, da digitalização crescente e da situação geopolítica torna a República Federal um alvo atractivo.

A integração das tecnologias de IA vai continuar a alterar o panorama de ameaça e criar tanto novos riscos como novas possibilidades de defesa. Decisivo será a rapidez e a eficácia com que o Estado, a economia e a sociedade conseguirem reagir a estes desenvolvimentos. O anunciado reforço das autoridades de segurança é apenas um elemento de uma estratégia abrangente de cibersegurança, que tem também de incluir medidas preventivas e o reforço da resiliência das infra-estruturas críticas.